O FIM DO MUNDO
Perguntou-me um amigo se eu acreditava no fim do
mundo.
Sem entender bem o que ele pretendia, redargui –
Como assim?
- Com todos estes desastres que vem ocorrendo, você
não acha que o mundo pode acabar?
- Bem, você acredita que a vida seja mera obra acaso ou que haja uma
inteligência muito além da nossa compreensão orquestrando este universo?
- O que? Perguntou ele agora confuso!
- Sim, Algo que arquitete as coisas que acontecem.
Por exemplo, um carro para ser construído necessita da cooperação de técnicos, engenheiros, designers, mecânicos, pintores etc. Eu nunca
ouvi falar de um carro que tivesse brotado da terra, que surgisse assim de
repente. Se um carro demanda tanto planeamento, tantas cabeças envolvidas na
sua construção, imagine o nosso planeta.
- Não estou entendendo essa comparação!
- Ora, dentro do nosso planeta há incontáveis
"invenções", todas conectadas umas as outras, que são muito mais complexas que um carro e que não são
obra da inteligência humana. Uma simples arvore frutífera é um exemplo
magnifico, frutifica sempre na mesma época do ano, fornece alimento aos homens e aos animais, sementes para que novas arvores possam surgir, e isso sem que nenhuma mão humana precise interferir
num ciclo que existe desde sempre. Aliás, tudo em a natureza obedece a ciclos,
que funcionam como uma engrenagem para que haja vida. A vida é o resultado de
infinitos atos de cooperação.
- Meus Deus, do que você está falando!?
- Exatamente disso, desta
Mão Invisível que orquestra todos estes atos de cooperação, que faz essa roda
girar. Não obstante, muitas vezes alucinados ou iludidos, acabamos
por crer que somos nós o centro do universo. Desilusão, eis o fim do mundo
dos iludidos! Ah, quando se derem conta...
- Conta de que?
- Do que realmente somos! Porque haveria o mundo de acabar durante a nossa brevíssima estadia nele?
Quantos planetas do nosso sistema solar, que diga-se de passagem existem a
muito mais tempo do que qualquer ser humano, já se acabaram desde que os
começamos a observar? Alguém saberá dizer? Não seria mais lógico aceitar que é
muito mais provável que eu desapareça deste
planeta antes que ele se acabe?
- Pois, olhando por este prisma é mesmo capaz que
eu morra antes do planeta se acabar. As vezes esqueço-me que não sou imortal.
- Teu corpo não é mesmo, mas a tua alma já é outra história, e é disso que não nos estamos a dar conta meu amigo!
POR ALÊ ESNARRIAGA



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