DO CAOS AO COSMOS - NO MACROCOSMO E NO MICROCOSMO
Segundo a ciência, o Universo macrocósmico evolveu do caos ao cosmos, da desordem das potencialidades para a ordem da atualidade. O cosmos de hoje é o resultado do caos de ontem.
Esta transição da potencialidade para a atualidade obedece a uma Inteligência Cósmica, que abrange tanto o ontem do caos como o hoje do cosmos.
O microcosmo hominal obedece às mesmas leis do macrocosmo mundial com a diferença de que, no homem, a inteligência é individualmente dirigida, quando no Universo é cosmo-consciente.
No microcosmo hominal o caos inicial é formado pelo ego intelectual; é o estado primitivo de todo homem, antes que o Eu racional transforme em cosmos esse caos.
O Gênesis de Moisés joga simbolicamente com esses dois elementos da natureza humana, comparando o caos intelectual com a voz da serpente e o subsequente cosmos racional com a imagem e semelhança de Deus, vitória definitiva do sopro de Deus sobre o sibilo da serpente.
Esta transição do caos intelectual para o cosmos racional se realiza sob os auspícios do poder creador do livre-arbítrio humano destinado a fazer do caos microcósmico um cosmos microcósmico.
O estado do caos hominal é chamado pecado por Moisés, pecado que, segundo a mística do Exultet , é um pecado necessário , e uma culpa feliz , e culminou no cosmos da grande solenidade que o Evangelho descreve festivamente na história do Filho Pródigo: o ego caótico se realizou no Eu cósmico.
A idéia tradicional de que Deus, com a creação do homem, tenha sido derrotado por um anti-deus (diabo) resultou de uma visão unilateral e incompleta do drama caos-cosmos, que rege todo o Universo, mundial e hominal.
O drama caos-cosmos, ego-Eu, ainda está no seu início, na primeira fase da sua evolução, no mundo da humanidade; tudo parece caótico, nada cósmico, porque a humanidade ainda se debate no período caótico da noosfera, e não atingiu ainda o plano cósmico da logosfera, no dizer de Teilhard de Chardin. Mas o drama do Universo não falha, nem no setor macrocósmico nem no setor microcósmico, embora esse drama leve milênios e éons.
A idéia de queda e redenção do homem, no sentido teológico, não tem cabimento na filosofia cosmológica do Universo, onde tudo se realiza segundo leis imutáveis e inexoráveis, sem ou com a intervenção do livre-arbítrio humano. O livre-arbítrio não pode modificar o drama da ordem univérsica, embora possa afetar o destino do homem individual. A ordem cósmica se realiza independentemente do destino do homem, com, sem ou contra o livre- arbítrio individual.
Toda a dificuldade e confusão no tocante à história da humanidade, nasce do equívoco tradicional de um suposto Deus pessoal que presida ao drama do macrocosmo e do microcosmo de cima ou de fora do Universo, idéia básica do monoteísmo teológico.
Com a passagem da concepção monoteísta de um Deus individual para a concepção monista de uma Divindade universal, desaparece a dificuldade da compreensão. A idéia da Divindade segundo a concepção de todos os gênios e místicos, é a própria alma ou essência do Universo. Se a Divindade, segundo Spinoza e Einstein é a alma do Universo, e se o mundo é o corpo do Universo, então o corpo visível da existência não pode contradizer a alma invisível da essência do Universo; o Verso é necessariamente a manifestação do Uno.
Esta cosmovisão do universo integral é a chave de todos os enigmas que atormentam a humanidade.
Transcrito do livro: O Homem de Huberto Rohden



Comentários
Postar um comentário