MEDO DA MORTE

 



"Viver é diferente de existir. Viver significa despertar, livrar-se do torpor provocado pelo medo e pela ignorância."
Metanoia, Roberto Tranjan

***


José morria de medo da morte, mas mais medo ainda tinha de descobrir que a morte não existia. A qualquer convite que recebesse da vida para vivenciar experiências que lhe pudessem aclarar este tema, logo encontrava uma boa desculpa para escapar a oportunidade.

A ideia de que suas crenças racionalíssimas e bem-estruturadas poderiam ser uma ilusão era assustadora. A mudança que isso poderia vir a lhe provocar era imaginada como demasiadamente desconfortável.

O que seria dele se questionasse a própria perceção da realidade? Tornar-se-ia louco? Pior, o que pensariam dele!? Dúvidas e mais dúvidas, era só isso que habitava a sua mente angustiada. Afinal, saber a verdade não lhe traria ainda mais angústias?

***

"Acreditamos querer ver a realidade como ela realmente é. Mas as ilusões que abrigamos fazem parte de um sistema de crenças mantido inconscientemente. Qualquer ataque a essas ilusões é percebido (automaticamente) como uma ameaça. Assim, um esforço para dissipar a ilusão, embora, em última análise, benéfico, pode, no entanto, gerar resistência." [1] Por outro lado, manter-se na ignorância é aceitar um sofrimento existencial autoimposto, do qual ninguém, além do próprio individuo, pode se livrar.

Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? O que estou aqui a fazer?  
Não serão essas perguntas capazes de nos fazer emergir deste lamaçal de aflições, iluminadas por uma espiritualidade que não nega a ciência, mas a sustenta na investigação das evidências da imortalidade da alma?

[1] May, R., & Metzner, R. (1991). Higher creativity: Liberating the unconscious for breakthrough insights. 



POR ALÊ ESNARRIAGA

Comentários

Postagens mais visitadas