O INCÊNDIO

 


Imagine um edifício em chamas a muito tempo, mesmo a muito tempo. Você nasceu e o incêndio já estava lá. De repente, as pessoas começam a dar-se conta de que, se não fizerem nada para apagar este fogo, ele há de alastrar-se e queimar a todas elas. Alguns, num ato quase heroico, começam a tentar extinguir o fogo; cada um deita o máximo de água que consegue carregar consigo. O fogo abranda numa parte, mas volta a arder em outra; parece que a batalha não vale a pena. Entretanto, a cada ato de esforço, mais pessoas sentem-se encorajadas a juntar-se ao combate das labaredas. Quanto mais mãos a trabalhar, mais eficiente torna-se aquele grupo, até o ponto em que as chamas são controladas. Mas o trabalho não acabou; agora vem a fase de maior esforço e paciência: o rescaldo. Este deverá durar, provavelmente, o mesmo tempo que o incêndio durou. É um trabalho intenso, que parece não ter fim. Às vezes, pergunta-se: minha contribuição resolverá alguma coisa? Mas, só de lembrar das chamas que antes ardiam, logo deixam de questionar-se e avançam ao trabalho, que só há de lograr com a contínua cooperação das gerações.



POR ALÊ ESNARRIAGA

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