PODER, RESPONSABILIDADE E DEMOCRACIA; UMA REFLEXÃO A LUZ DA NÃO-VIOLENCIA

 


OS DONOS DO PODER - Os seres humanos ainda não desconfiaram de que manipular qualquer forma de poder no mundo é uma responsabilidade imensamente estressante.  A conquista do poder não tem sido isenta de violência. Assim, o poder, geralmente considerado um bem, é um tremendo encargo, que a lei-do-karma rege. Quando os homens começarem a merecer o apelido de "sapiens", começarão também a considerar o poder (político, económico, social, paranormal) um "talento" pelo qual são responsáveis perante um tribunal rigorosíssimo e incorruptível, do qual não escaparão, nem que comprem uma galáxia distante para se homiziar. Quando o homem é mesmo "sapiens", não usa mal o poder. Não o corrompe. Não se apega a ele, nem mesmo se candidata a adquiri-lo. Quando o homem souber que o poder é para ser usado em benefício da sociedade e com renúncia própria; quando vier a desconfiar que a Política é uma das mais divinas atividades humanas, pois é aquela que gera e defende o bem comum; quando souber que o poder é dever e missão sublime, e não um privilégio ou mordomia a ser usada em seu próprio favor e dos "seus"; quando tal acontecer nascerá o Político autêntico, disposto a, entregue a Deus, sacrificar tudo, e mesmo a vida, em prol do bem coletivo. Quando alguém se esforça, se gasta, se estressa, se esfalfa, mobiliza tudo e todos para assumir o poder, usando os meios violentos, tácitos ou disfarçados, muito frequentemente não está inspirado no bem da "polis'", mas em seu próprio e egocêntrico interesse. O Político - servidor de Deus - pode ser levado à missão de governar; o poder a ele chegará como um amoroso sacrifício, que ele aceita, e o honrará. Isto poderá acontecer a você mesmo; depende de você se tornar, após muita renúncia e disciplina, um autêntico Servidor da Humanidade, entregue a Deus; na medida em que estiver disposto e apto à prática do Karma Yoga; desde que ame (com amor que frutifique em ação) seus contemporâneos... Gandhi teve poder em suas mãos. Poderia manipular centenas de milhões de almas. Não realizou qualquer campanha eleitoral nem cantilenas revolucionárias. Simplesmente, amou, solidarizou-se com os oprimidos; nada reivindicou para si, se impos rigorosa e ascética disciplina... Que diferença dos políticos horizontais, movidos por ambições pessoais ou grupais, lutando para galgar a posição de mando! Não admira que políticos que conquistaram o poder por meios espúrios, amorais, corruptos, no exercício do poder, comprometidos com satã, martirizem o povo, esmagando-o…

 

A VIOLÊNCIA DOS GABINETES - O povo, nas grandes metrópoles, está com medo de assaltantes, e está disposto a linchar o primeiro deles que possa prender na prática do crime. Nas entrevistas da TV se discute pena de morte. Uns pretendem instituí-la porque o assaltante é ameaça e é a própria insegurança contra todos, e é dever do governo preservar a ordem pública e garantir a sobrevivência das pessoas. Outros se opõem a matar o criminoso. pois a sociedade, que é sempre culpada pela fome e pela injustiça, é que gera o crime, que cria o assaltante. Todos falam em respeito aos Direitos Humanos". O assaltante é um ser humano, portanto detentor de direitos, que o Estado não pode ferir, mandando matar. Detentores de direitos são também suas vítimas, que o Estado tem de proteger. Na verdade, a violência do revólver do marginal, em geral, é precedida e gerada pela violência da caneta do homem de poder que, em proveito de si e dos "seus"', assina contratos criminosos, leis inócuas, decretos corruptos, manobras lesivas. Quando e como terminará a violência na humanidade? Quando o poder passar a ser manipulado por homens isentos de todas as formas de violência. São expressões de Violência: a mentira, a ambição, a corrupção, o apego e a aversão, e todas as formas de egoísmo. Como chegar ao poder um homem que se recusa a usar a violência, seja das armas seja a das campanhas políticas iníquas?

 

DEMOCRACIA - A solução está na Democracia, esta ainda desconhecida. Democracia é uma atitude espiritual antes que um regime político. Se eu não sei desejar e realizar o melhor para meu semelhante não sou um democrata, não obstante publique tratados em defesa da Democracia, embora esteja num cargo administrativo ou político no governo. Não sou um democrata se exorbito e, exibindo luxo, agrido a miséria de populações marginalizadas com as cores brilhantes de minha ostentação; não obstante um assento que possa ter numa das Casas do Congresso ou domine uma cadeia de jornais "democráticos". Ser democrata é ter benevolência (querer o bem) e beneficência (fazer o bem) aos semelhantes. Quando as multimilenares Leis do Manu, na India, estabeleciam a obrigação de amar e servir; quando Moisés, no Sinai, disse que 'não levantarás falso testemunho contra teu próximo'; quando séculos antes de Cristo, na China, Confúcio exaltou que 'não façais aos outros o que não que- reis que vos façam'; quando o Príncipe Sidharta (o Buddha) falou aos discípulos: 'ide a todos os lugares da Terra para o bem de muitos, por compaixão pelo mundo, em beneficio e felicidade dos deuses e dos homens; quando um cameleiro, em terras áridas da Arábia, advertia: 'não pratiqueis injustiças e não sofrereis injustamente'; quando um humilde carpinteiro da povoação de Nazaré (Palestina) doutrinava: Amai o próximo como a vós mesmos'; quando, dentro de você, jovem estudante, se levantar uma onda de boa vontade para todos, um impulso generoso de servir, aí começou a verdadeira democracia." (Organização Social e Politica Brasileira, do autor.)


Transcrito do livro: Convite à Não-Violencia de José Hermógenes.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas