Felicidade e Infelicidade Relativas
Vejamos o que estas 4 questões feitas em 1857, e que por sinal continuam bastante atuais, nos dizem sobre a felicidade.
920. O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa?
— Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto se pode ser na Terra.
921. Concebe-se que o homem seja feliz na Terra quando a Humanidade estiver transformada, mas enquanto isso não se verifica pode cada um gozar de uma felicidade relativa?
— O homem é, na maioria das vezes, o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus ele pode poupar-se a muitos males e gozar de uma felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.
Comentário de Kardec: O homem bem compenetrado do seu destino futuro não vê na existência corpórea mais do que uma rápida passagem. É como uma parada momentânea numa hospedaria precária. Ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos passageiros, numa viagem que deve conduzi-lo a uma situação tanto melhor quanto mais atenciosamente tenha feito os seus preparativos para ela.
Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes dessas infrações e pelos nossos próprios excessos. Se remontarmos pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidades terrenas, veremos a estas, na sua maioria, como a consequência de um primeiro desvio do caminho certo. Em virtude desse desvio inicial entramos num mau caminho, e, de consequência em consequência, caímos afinal na desgraça.
922. A felicidade terrena é relativa à posição de cada um: o que é suficiente para a felicidade de um faz a desgraça de outro. Há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens?
— Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.
923. Aquilo que seria supérfluo para um não se torna o necessário para outro, e vice-versa, segundo a posição?
— Sim, de acordo com as vossas ideias materiais, os vossos preconceitos, a vossa ambição e todos os vossos caprichos ridículos, para os quais o futuro fará justiça quando tiverdes a compreensão da verdade. Sem dúvida, aquele que tivesse uma renda de cinquenta mil libras e a visse reduzida a dez mil, considerar-se-ia muito infeliz por não poder continuar fazendo boa figura, mantendo o que chama a sua classe, ter bons cavalos e lacaios, satisfazer a todas as paixões, etc. Julgaria faltar-lhe o necessário. Mas, francamente, podes considerá-lo digno de lástima, quando ao seu lado há os que morrem de fome e de frio, sem um lugar em que repousar a cabeça? O homem sensato, para ser feliz, olha para baixo e jamais para os que lhe estão acima, a não ser para elevar sua alma ao infinito.
Fonte: O Livro dos Espiritos - Allan Kardec
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Conclusão
A felicidade, via de regra, é nos apresentada dum ponto de vista bastante materialista fomentador de insaciáveis desejos que constantemente nos agustiam e fazem sofrer. Já as conquistas do espírito através das suas obras de amor e da auto-realização são parte duma construção indestrutível. Nosso estágio na Terra tem como finalidade evoluirmos por meio da nossa cooperação na obra da criação.
Contudo, nos esquecemos disso e ficamos presos a roda do rato.
É fundamental buscar saber “quem somos”, “onde estamos" e "para que viemos”, para que possamos nos livrar da escravizante ilusão do materialismo.
É fundamental buscar saber “quem somos”, “onde estamos" e "para que viemos”, para que possamos nos livrar da escravizante ilusão do materialismo.



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